Retrospectiva 2011: “Trocando o G pelo M”

O ano de 2011 valeu, comecei o ano com praticamente 103kg e completamente sedentário. Lembr0-me dos primeiros treinos em que corria por 1 minuto, sim, UM minuto, e sentia que o coração ia explodir, sair pela boca, devido ao aumento de frequência que dava.
Mas fui, sem tanta disciplina como deveria ter, mas segui os treinos, fechei a boca, e pouco a pouco fui perdendo KG e ganhando KM, é muito bom trocar o G pelo M…rs
Foi um desafio, às vezes mais motivado, às vezes menos, às vezes seguindo firme e forte a rotina de treinos, às vezes quase não treinando, mas “aos trancos e barrancos”, deu certo!
Sem dúvida alguma as pessoas e as provas fizeram toda a diferença. Sozinho e sem o objetivo de aumentar as distâncias ou melhorar o tempo nas provas eu provavelmente teria parado no meio do caminho.
Foi muito bacana ter feito o Circuito Athenas, realmente recomendo para quem quer começar, o percurso é fácil, bem organizado, e motiva a aumentar as distâncias, em 2012 pretendo fazer de novo, mas dessa vez tentando os 10, 16 e 21km, quem sabe!
As experiências valeram muito a pena, as provas de revezamento se revelaram grandes festas e celebrações da saúde, da amizade e de um espírito diferente de encarar a vida.
A sensação de cruzar a linha de chegada, de se superar, seja no tempo, seja na dor, seja na distância, é praticamente indescritível, alimenta a alma e o ego, faz bem para o corpo e para a cabeça, realmente vale a pena!
No entanto o ponto alto de todas as provas foi, disparado, os 9km noturno em Ilha Bela, essa prova foi simplesmente DEMAIS e despertou um interesse maior pelas corridas de montanha, vamos ver se eu consigo me dedicar a elas em meus próximos desafios, realmente são muito mais interessantes do que as provas de corrida de rua (sem desmerecer, é claro!)Enfim, fui dos 103kg para os 84kg, (foram 19kg em um ano)e fui daquele 1 minuto “morrendo” aos 1h02 nos 10km terminando cansado, mas inteiro. Nosso corpo é realmente algo incrível!
Sem dúvida valeu a pena, espero que a corrida tenha vindo para ficar e que eu ainda tenha muitas corridas e crônicas para compartilhar!
O ano terminou “ruim”, a ideia era fechar com chave de ouro fazendo os 15km da tradicional São Silvestre no último dia do ano, mas as dores não deixaram, preciso perder mais peso e me disciplinar mais, mas “vamo que vamo”!

Obrigado a todos que me acompanharam, orientaram e incentivaram nesse primeiro ano! Bora correr e que venha 2012!

Forte Abraço

Rafa Dutra

Publicado em Cada Prova | Deixe um comentário

Velhos amigos, novos tempos!

Duas semanas sem correr, só no Tandrilax, no gelo e no alongamento, e mais uma prova muito boa de se fazer pela frente: faço ou não faço, eis a questão!rs… Deixei em aberto e no sábado dei um trote bem leve de uns 10 minutos para ver se sentia dor, e não senti! Então bora correr a Ayrton Senna Racing Day!

Correr no autódromo de Interlagos com os amigos (fomos em 2 equipes) seria algo muito bom. E foi! Passamos a manhã toda juntos, no começo eu estava com sono e depois fui animando mais, o sol resolveu aparecer lá pelas 10h e pouco da matina (eu ia correr umas 11h), e lá fui eu fazer um bom aquecimento (nunca tinha aquecido tão bem para uma prova!rs) e ir para os boxes (sim, para a troca de corredores). Cheguei lá e esperei por poucos minutos a Tuany me passar a pulseirinha e lá fui eu para minhas passadas.

Pista de corrida (de carro), solzão, amigos, perna sem dor, tudo uma maravilha, fiz a prova numa frequência um pouco maior porque seriam apenas 5km e realmente as tais das subidas foram punks. Estava tudo fluindo bem, e no meio da primeira subida senti a perna dolorida, não era a mesma dor da outra prova, mas a segunda metade da prova foi com a perna incomodando.

No entanto não tirou o brilho, e a subida (punk!) que antecede a reta foi bacana superar. Quando passei a placa dos 5km olhei no relógio, 31’20, fiquei contente, afinal, praticamente 3 semanas sem treinar e duas sem fazer nada (só comendo e engordando!), dali para frente tirei o pé e fui bem devagar até entregar a pulseira para a Milena. Cheguei e fui logo fazer gelo, quero a perna boa para a São Silvestre!rs…

Posso ter errado em ter corrido essa prova mas valeu muito a pena! Não apenas pelo lance de correr no autódromo, de ser o percurso mais difícil que fiz até hoje e ainda com o solzão na cabeça, mas principalmente pela “galera”.

Há exatos dez anos estavámos no intervalo da escola trocando idéia, falando das meninas e dos mais de 50 pontos do Iverson nos jogos das finais da NBA, depois cada um foi para um canto, uma faculdade, um trabalho e um caminho diferente, mas ainda mantendo contato.

Claro que em dez anos muita coisa muda, e eu considero que mudei bastante, mas o carinho e a amizade se mantém. Todos ficavam zuando: “Pow, antes chegavamos da balada às 6h juntos e agora estamos nos encontrando às 6h no Chico Mendes para ir correr“, e realmente fico feliz de ver e principalmente de fazer parte disso!

O tempo passa, mudamos, nos aproximamos mais de alguns e afastamos mais de outros, mas o carinho e a amizade ficam os mesmos! Prova de revezamento é prova de festa com os amigos. Antes a festa era uma, hoje é outra, sinal de que o tempo passa, de que ficamos velhos, mas principalmente sinal de que vale a pena se esforçar para manter pessoas bacanas em nossas vidas!

Não sou tão próximo de todos como eles são entre eles, nem estou tão frequente na “galera”, mas sem dúvida sinto que são amigos que fazem parte da história. Espero que em 2012 os que ainda não começaram a correr com a gente comecem para que o time fique completo!rs…

Há dez anos eram os intervalos da escola, hoje são os churrascos, as viagens e agora a corrida, daqui há dez serão os aniversários dos filhos e outras coisas mais. Mas o importante é que vale o esforço para encontrar a “galera” e manter viva nossa história…

São novos tempos, mas são velhos amigos! Valeu galera, e bora correr!

Forte Abraço,

Rafa Dutra

Publicado em Cada Prova | 2 Comentários

Superação ou burrice?

Estava em um momento bastante motivado com a corrida! Pronto para encarar uma ótima sequência de provas, sem dor no joelho e finalizando 2011 com a São Silvestre. Finalmente consegui fazer uma sequência correta de treinos por duas semanas e o primeiro desafio seria a terceira etapa do Circuito Athenas, que além de ser uma prova muito bacana tem um significado especial para mim, pois quando decidi começar a fazer provas e pesquisei sobre elas, escolhi o Circuito Athenas para ser a prova que marcaria minha evolução ao longo desse ano, fazendo os 5km em maio, os 8km em julho, e no início pensava (inocentemente) em 21km em novembro, que logo mudou para tentar os 10km abaixo de 1 hora!

Tudo estava caminhando bem, fiz uma sequência boa de treinos de velocidade que melhoraram meu ritmo e embora sem estar focado em tempo, sabia que tinha grandes chances de fazer uma ótima terceira etapa do Circuito Athenas e abrir bem minha sequência de 5 provas até o final do ano.

No entanto no treino de domingo (13), que era um treino leve com subidas, forcei um pouco nas subidas e senti a panturrilha da perna direita, fiz gelo, descansei segunda e treinei terça, um treino tranquilo, mas senti de novo. Resolvi não fazer os outros treinos da semana, fiz apenas gelo e deixei para correr só no domingo na prova do Athenas. A dor tinha passado e estava animado para fazer minha prova, ainda mais quando fiquei sabendo que seria uma prova plana!

Alonguei, aqueci um pouco, ia começar a prova bem devagar e usar os primeiros 2km para aquecer, mas logo que passei pelo pórtico de largada e comecei minhas passadas minha perna começou a doer, e não estou falando que foi depois de alguns minutos, foi logo nas primeiras passadas, nem um minuto de prova. Na hora me veio na cabeça que precisava tomar uma decisão logo ali, se ia fazer a prova toda com dor, pois dificilmente aquela dor ia passar, ou se ia desencanar dessa prova e pensar nas próximas.

Dessas cinco provas apenas a Athenas e a São Silvestre são provas realmente importantes para mim, a do Senna será bacana pela galera, mas não pela prova em si, pensei que tenho 40 dias até a São Silvestre e que qualquer coisa que pudesse acontecer, provavelmente daria para me recuperar até lá, então baixei o ritmo e me lancei nos 10km do Circuito Athenas.

Cada vez que eu pisava com a perna direita eu sentia dor, e os primeiros dez minutos foram horríveis, até eu aquecer melhor o resto do corpo e principalmente a cabeça, tentando “desligar” da dor e focar minha mente em outras coisas.

Estávamos em cinco e fiquei para trás, conseguia ver o André, a Milena e a Camila lá na frente, (a Vanessa sempre está muito na frente e nunca dá para ver!rs) e fui seguindo meus passos até chegar ao ponto em que me acostumei com a dor e consegui ir aumentando aos poucos minha velocidade!

Primeiro fui buscar a Milena e a Camila, fiquei contente em conseguir finalmente soltar um pouco a perna e correr, chegando até elas, logo em seguida estava na metade da prova, a virada dos 5km, olhei no relógio e tinha feito em 33’25, um tempo bem ruim perto do que estou acostumado, e nesse momento ri de mim mesmo! Nessa mesma prova, no dia 22/05 havia corrido meus primeiros 5km em 34’29 e estava extremamente feliz! Interessante ver essa evolução do nosso corpo e do quanto mudamos nossos parâmetros.

Feita a volta, ainda mais acostumado com a dor vi o André lá na frente, e dei mais uma acelerada para buscá-lo, cheguei nele quando faltava um pouco mais de 3km, mantivemos um bom ritmo, foi bom ter uma companhia para me manter no ritmo, e ajudamos um ao outro, seguindo firme para o final da prova, nos últimos 800 metros o André puxou o ritmo para fazer sua primeira prova de 10km abaixo de 1h05 e ganhar uma garrafa de vodka (rs!) e eu diminui meu ritmo, sentia bastante dor e sabia que tinha conseguido completar os 10km do Athenas, e o fiz em 1h05, apenas 3’ acima do que fiz na minha primeira de 10k em outubro. Embora com toda a dor, fiquei feliz, e com a certeza de que se estivesse inteiro teria feito uma prova ainda melhor.

O Cirtuito Athenas para mim esse ano foi repleto de histórias e superações, a primeira prova, minha estreia, correndo há apenas 3 meses e ainda com 95kg, minha segunda prova, a primeira de maior distância, praticamente sem ter dormido e na manhã seguinte da notícia da morte de meu pai, e agora essa terceira prova, minha primeira sentindo bastante dor do começo ao fim, a cada passada dada com a perna direita!

Foi uma prova extremamente mental, pouco me lembro das músicas e os pensamentos não se fixaram, ficaram vagando ao longo da prova, hora focavam na dor, hora se perdiam em várias outras coisas.

Nesse exato momento enquanto escrevo a crônica dessa prova estou fazendo gelo, amanhã vou no fisio porque não consigo nem andar direito, fico me questionando se foi uma prova de superação, ou se foi burrice da minha parte ter forçado tanto, mas no fim das contas, gostei de ter passado por essa vivência, espero apenas que não tenha sido burrice da minha parte, que o prejuízo não seja grande e que eu possa ao menos me preparar e correr a São Silvestre daqui há 41 dias!

Talvez não tenha sido superação ou burrice, mas sim superação e burrice! Mas de qualquer forma gostei muito de poder viver mais essa experiência em uma prova de corrida, que mais um vez se mostrou como a vida, às vezes sentimos dor, mas não paramos, ficamos longe do nosso melhor, pois a dor limita, mas seguimos em frente e fazemos aquilo que é possível!

Em 2012 com certeza o Circuito Athenas estará no meu calendário, talvez ai sim com 10k, 16k e 21k, vamos ver! Bora correr? Não! Bora fazer gelo!rs…

Forte Abraço!

Rafa Dutra

Publicado em Cada Prova | 2 Comentários

Viva a diversidade!

Hoje acordei às 5h50, tomei meu banho e parti para a minha primeira prova de 10k. Uma nova estreia, embora já tivesse corrido 8k em julho e 9k em setembro, 10k foi a primeira, e a prova foi, mais uma vez, muito boa!
O tempo estava bom, não tinha muita gente, estava bem organizado, eu estava descansado, fui junto com meu irmão (que foi fazer mais uma de 5k) e foi tudo muito bacana! Acompanhei ele até quase o 4º km, quando nos separamos, fiquei sem música lá pelos 6,5km (bateria de novo!) e fiz uma prova tranquila, quase que todo o percurso era plano, e mantive meu ritmo na boa, controlando minha frequência e sem forçar, tinha receio de não aguentar se exagerasse em algum momento, e segui assim até cruzar pela primeira vez o pórtico dos 10k em 1h02, dentro do meu planejado que era ficar entre 1h e 1h05.
No entanto, o que achei bacana de fazer essa prova de 10k é que tive muito mais tempo para curtir a prova, ver coisas interessantes, viajar nos pensamentos e nas sensações, e enquanto corria pensava sobre o que eu iria escrever na crônica da 8ª Corrida de Santos Dumont, e decidi que queria escrever sobre a diversidade.
Não sei o número exato de participantes, mas deve ter sido algo próximo de uns 3.000, e mais uma vez vi a beleza que é o ser humano e suas diferentes formas de ser. Logo na largada um senhor de aproximadamente uns 55 ou 60 anos, cabelo cumprido e barba grande (ambos brancos), estilo Papai Noel, e o que mais chamava atenção: descalço! Aparentemente alguém incomum, fora das regras, no entanto com a camiseta do evento e o número do peito, uma contradição, mas muito bacana. Deu até vontade de tirar uma foto com o “tiozão”…
No meio da prova, como sempre, vi de tudo, casais empurrando o filho na carrinho, um cara acompanhado do cachorro, vi um deficiente visual correndo com o seu guia (é assim que chama?), mudos conversando, deficientes físicos que com uma enorme dificuldade se deslocavam passada a passada, pessoas de todas as idades (crianças, jovens, adultos e idosos) e de todos os tamanhos: altas, baixas,  muito magras, magras, gordinhas, gordas, ex-gordas (dá para perceber que estavam emagrecendo).
Tinha gente bonita, gente esquisita, gente chique cheia de apetrechos, gente simples sem frescura nenhuma, gente de todas as cores, pessoas religiosas correndo os 10km com a imagem de Nossa Senhora de Aparecida, pessoas que mais falavam que corriam, pessoas quietas, fechadas na sua música ou em seus pensamentos.
O pessoal da Aeronáutica correndo em pelotão cantando suas músicas e seguindo todos juntos, no mesmo ritmo, na mesma passada. Um cara vestido de palhaço, outro de peruca que ficava latindo durante a prova (?), enfim, tinha de tudo, toda a diversidade estava presente ali, e enquanto eu corria eu pensava: como o ser humano é plural, e a Psicologia vem querer “entender” esse “bicho humano”, pretenciosa, não?
E o bacana é pensar que toda essa diversidade que eu fiquei admirando estão presentes a todo instante a minha volta, mas foi correndo que parei, observei e pude curtir isso!
Muitas pessoas me perguntam e até fazem piadas com o fato de acordar tão cedo em pleno feriadão para ir correr, pois não conseguem entender o porquê eu faço isso, e a resposta é bastante simples:

Corro porque gosto de sentir a corrida!
Corro porque gosto de ser quem eu sou quando estou correndo!

Que venham as próximas de 10k!

Bora correr?

Forte Abraço,

Rafa Dutra

Publicado em Cada Prova | 3 Comentários

O cavaleiro das trevas!

Simplesmente fantástica!
Não há melhor maneira para começar a escrever sobre a melhor prova que fiz até hoje, e não apenas um pouco melhor que as outras, pelo contrário, muito melhor que todas as outras juntas! Os 9k de trilha noturna no XTerra Ilha Bela foi uma prova de sensações.
Foi minha primeira prova que envolveu uma viagem, fiquei mais tempo “em clima de prova”, foi a primeira prova noturna, e a primeira na natureza (embora com boa parte na cidade, mas não no asfalto).
De uma forma ou de outra, tudo ali era novidade! Estava bem preparado, embora com o joelho não 100%, mas estava confiante em meus treinos e tranquilo quanto a completar a prova, ainda mais que estava indo completamente desencanado de tempo e com foco em “saborear” aquela experiência!
Alugamos uma casa e fomos em galera, alguns iam correr, outros apenas acompanhar, não era “a minha galera”, mas eram pessoas muito bacanas, fiquei mais na minha como de costume, mas gostei da companhia!
Três horas para ir, muita conversa no carro que não vi nem o tempo passar. Sábadão de manhã fomos buscar os kits e encontrei o Enzo, que disse que a prova parecia estar difícil e deu umas dicas! Vi a galera do triatlhon sofrendo (disseram que a prova foi punk!) e comecei a sentir o clima.
Embora o tempo estivesse medonho, frio e chuva ou garoa o dia todo, nada conseguiu abalar a motivação para aquela vivência! Comi certo, descansei, tomei meu banho, me arrumei (aquela lanterna na cabeça era feia mas dava um charme para a prova), foto antes de sair da casa e lá fomos nós: Eu, Camila, Milena, Simões (coordenador técnico!rs), Leandro e Walter.
Lá na arena encontrei o Otávio (atleta do IM) e sempre fico contente em encontrar esse pessoal, últimos preparativos e lá estavamos nós na largada! Além de todo o clima diferente, escolhi uma trilha sonora especial para essa prova. Dias antes meu irmão chegou em casa com o cd da trilha sonora do Batman – The Dark Knight (ouça aqui um pouco!) e quis ir para o meio do mato escuro com essa trilha, o que deu um outro tom para minha prova!
Largamos, comecei a prova segurando meu ritmo junto com o pessoal e logo depois resolvi me afastar, queria viver aquela experiência sozinho, eu, a música, o lugar, as passadas e os pensamentos, e a prova foi uma delícia, umas subidas punks que adorei subir sem andar e passando por todo mundo, umas partes completamente escorregarias na trilha que era impossível correr (inclusive cai umas duas vezes andando devagar!), e aquela sensação de estar sem ver quase nada por boa parte da prova deixando o clima ainda melhor!
Subidas, descidas, terra, trilha, mato, e até mesmo pela visão debilidata, outros sentidos ficam aguçados e as sensações se potencializam! Fantástico! Em alguns momentos desligava o som para ouvir a natureza, o silêncio, as vozes de longe, e depois retomava na minha trilha especial do “cavaleiro das trevas!”.
Em alguns momentos desligava minha luz, queria ficar quase no escuro total, uma hora parei, depois de muito subir tivemos uma vista de Ilha Bela a noite, e valeu parar alguns segundos para olhar aquilo!
Foi uma prova que aproveitei demais, por ter durado 1h07 tive bastante tempo comigo mesmo naquela confusão de sensações e pensamentos sobre as coisas mais variadas. Quando vi a placa dos 7km fiquei triste, sabia que aquilo estava acabando, e na verdade queria ficar mais tempo naquela experiência…
Aos poucos a chegada se aproximava, de novo pelas ruas já conhecidas, fui caminhando para a praia, onde os últimos metros na areia foram bem chatinhos, cheguei sozinho, curtindo ao máximo aquela coisa toda, peguei meu gatorade, minha medalha, entreguei o chip e fiquei por um tempo olhando aquele mar a noite.
Depois encontrei o pessoal e parece que voltei para a realidade, aquela uma hora e sete minutos pareceram algo além do comum, e foi! Entrei em outras sintonias, e sem dúvida as sensações ficarão guardadas! Sempre que escuto essas músicas sinto um pouco do que senti aquele dia!
Valeu muito a pena, foi, de longe, a melhor experiência que tive nesse mundo das corridas, diria até que umas das melhores experiências que tive até hoje na vida!
Falando em vida, um pensamento que me ocorreu enquanto eu corria era o quanto a vida era parecida com aquela prova. Minha lanterna iluminava apenas uns 2 metros a frente, e as lanternas de outras pessoas ajudavam a dar uma clareada, mas não faziamos ideia do que vinha pela frente. E me peguei refletindo o quanto a vida não é assim, só consigo ver alguns passos a frente, consigo ver um pouco mais pelas outras pessoas, mas não faço idéia do que vem pela frente…
Enfim, foi como disse no começo, simplesmente fantástico!
Serviu para despertar um grande desejo em fazer provas na natureza, e vou me preparar para elas, em 2012 provavelmente meu calendário será focado em ter mais experiências como essa! E para finalizar, um presente do Walter: um vídeo para a prova ficar registrada em imagens também! Bora correr?
Forte Abraço,
Rafa Dutra

Publicado em Cada Prova | Deixe um comentário

Correr com os amigos faz você feliz?

Primeira vez que fiz uma prova de revezamento, a 19ª Maratona de Revezamento do Pão de Açúcar; montamos duas equipes, uma de quatro e outra de oito pessoas, e tive uma manhã no Parque do Ibirapuera que foi uma grande festa!
A maior prova de rua do Brasil, cerca de 35.000 participantes, uma super organização e uma celebração à saúde, à corrida e às pessoas!
Todos me disseram que era uma prova para curtir com a galera, e sem dúvida foi o que aconteceu!
Eu era o 7º a correr, seria o último por conta do sol, mas deixamos o último percurso para o estreiante do grupo, pois era um percurso menor (4km e pouco). Fui para a largada acompanhando as duas primeiras corredoras e fiquei impressionado ao assistir mais de 5 minutos de largada, era gente que não acabacava mais…
É difícil descrever essa prova, pois na verdade não é uma prova de corrida, mas sim uma festa onde as pessoas correm!rs…
Normalmente chegamos no lugar uns 15 ou 20 minutos antes, corremos em 30 min ou 1h (ainda estamos nas provas de 5k e 10k) e vamos embora, quando são 9h ou 10h da manhã já estou em casa, mas essa prova começou às 7h e terminou apenas ao meio-dia, tinha muita gente, como sempre, de tudo quanto é tipo.
Era a primeira prova que eu fazia depois da prova em que me perdi com o relógio e estraguei uma corrida, então fiquei apenas focado na frequência e mandei ver debaixo daquele solzão, que só senti a real força no momento em que passei debaixo de um viaduto e percebi a ausência dele!rs…
Dessa vez a bateria do Ipod não acabou e segui firme nas minhas passadas, querendo fazer um bom tempo e entregar a faixa para o Felipão há tempo de completarmos dentro do limite previsto, mas sem encanar muito para não estragar tudo de novo!
A prova em si, o momento em que corri 5km e pouco foi bem tranquilo, fiz em cerca de 30 minutos de novo, o que foi ótimo devido ao calor que estava, e nada de diferente aconteceu.
Nessa “festa”, o que marcou realmente foram as pessoas, uma prova de revezamento é uma prova com os amigos, ainda que os amigos sejam os “colegas/ amigos da corrida”, e a frase estampada em todas as camisetas (Correr com os amigos faz você feliz?) não me deixou pensar em outras coisas senão no valor dos amigos em nossa vida!
Para finalizar e não ficar filosofando muito em mais uma crônica, termino a crônica dessa festa disfarçada de corrida com uma frase de Vinícius de Moraes:
“Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!”.
E respondendo a pergunta estampada nas camisetas: Sim, sem dúvida correr com meus amigos me faz feliz! Valeu galera, e que venham mais festas como essa!Bora correr?
Forte Abraço, 
Rafa Dutra

 

Publicado em Cada Prova | Deixe um comentário

O melhor, mas a pior…

O mês de agosto começou com gás total! Quando recebi minha planilha do Enzo e vi que meus treinos seriam diferentes fiquei bastante empolgado, quando comecei a fazer os treinos e percebi que ia dar conta foi ainda melhor!

Retomei a musculação de uma forma mais disciplinada (ainda que bem leve), realizei bem os treinos, curti a brincadeira de subir as escadas do meu prédio (na primeira vez que fiz esse tipo de treino subi trotando 5 andares e tive que andar os outros 15, da última já foi o contrário, mês que vem já conseguirei subir os 20 com certeza!), enfim, nas três primeiras semanas de treino fiz tudo certo e sobrei, ficando cada vez mais confiante para, pela primeira vez, estabelecer uma meta de tempo para a minha prova (fazer 5km abaixo de 30′).

No entanto, na última semana me compliquei sozinho, terça-feira (23) depois de fazer meu treino de escada e corrida, fui “brincar” de jogar basquete com meus alunos depois de sair de uma reunião a noite na escola, e depois de jogar três “21″ de calça jeans, tênis inapropiado, sem aquecer, e acabar pingando, senti meu joelho!

Os quase 40′ de basquete com meus alunos estragaram meus últimos dois treinos da semana, mas até aí tudo bem, sabia que isso não faria diferença no que eu estava buscando. Fiz repouso, retirei a bolsa de gelo (que tanto usei anos atrás) do armário, fiz gelo por três dias seguidos e fui para a prova sem dor, sentia apenas um pouco desconfortável, mas nada demais!

Na noite que antecedeu a prova tive a comemoração do aniversário de um amigo/irmão. Impossível não ir, e estando lá foi difícil ir embora as 22h como havia planejado! A pizza estava boa, os amigos, a conversa, a cerveja, e a coisa resultou em 7 pedaços de pizza (tamanho de rodízio que é menor, mas ainda assim foi muito), uns 2 litros de cerveja divididos em garrafinhas de long neck da Heineken ao longo da noite, e ir dormir lá pela uma e pouco da matina para acordar às 5h20 e ir para a prova!

Mas até aí ok também, a corrida serve para me proporcionar bons momentos, e não para fazer com que eu deixe de viver outros, e o aniversário desse grande amigo, o reencontro com outros amigos, enfim, não ia perder esse momento porque queria correr abaixo de 30′, faz parte…

Dormi pouco, mas acordei bem, fui encontrar o pessoal, chegamos bem cedo na prova (achei muito melhor chegar cedo, papear, aquecer e depois correr, tentarei fazer isso mais vezes!), e estava tudo bem, ainda empolgado, confiante, e mesmo com a história do joelho, da pizza, da cerveja, e de pouco sono, estava firme e forte no propósito de tentar bater os 30′.

E a prova começou, fui ligar meu Ipod (que estava devidamente carregado e com uma seleção de músicas feita especialmente para essa prova) e eu tinha pego o fone que estava quebrado, então nada de música, mas tudo bem também, não seria a primeira, e provavelmente não será a última!

O sol veio nos presentear e nos castigar um pouco, e na saída a organização da prova mandou muito mal, a galera da caminhada saiu junto com a galera da corrida, o que atrapalhou muito no primeiro km, e eu, ansioso com o lance do tempo fui tentar dar uma recuperada e fiz uma grande besteira.

Tentei acelerar, logo no começo da prova, em todo espacinho que dava, e quando abriu um pouco de espaço acelerei mais para compensar, quando bateu o 1ºkm tinha feito para 6’30, exatamente o que eu queria, mas como foi todo desregulado, minha frequência estava batendo os 190 (para mim o bom é ficar nos 170, 175), e comecei a sentir.

A partir daí foi uma luta comigo mesmo, hora sentia a perna forte e o corpo estragado, hora sentia que precisava diminuir mais o ritmo, e a luta comigo mesmo foi me consumindo por toda a prova, os pensamentos focados no “chega logo a próxima placa” me acompanharam quase que a prova inteira!

Aquela “dor do lado” de cansaço foi minha fiel companheira, estava exigindo do meu corpo mais do que ele podia me dar, e tive que diminuir do ritmo que queria, olhei em volta, escolhi uma pessoa num ritmo razoável e tentei seguí-la, se fosse por minha conta sabia que acabaria diminuindo cada vez mais, e segui!

Faltando uns 1,5km fiz uma volta e encontrei o pessoal do grupo, a Mi, o Rodrigo e a K, eles estavam muito próximos, e nos meus planos deveriam estar um pouco mais atrás…rs… Nessa hora ter encontrado com eles me deu um gás, estava começando uma subidinha e sabia que ainda faltavam uns 8,5 minutos se eu fosse forte, e resolvi, apesar de tudo, arriscar.

Abri a passada, abandonei a pessoa que estava seguindo e fui forte, senti um pouco, diminui um pouco, retomei forte e assim segui, quando passei a placa do 4ºKm sabia que faltavam menos de 6 minutos, e segui, pensando em chegar logo, desejando que aquilo tudo acabasse logo.

É impressionante o poder dos pensamentos ruins que dominam nossa cabeça, e a luta contra eles foi boa. No fim das contas consegui dar uma boa recuperada, fiz o último km passando por todo mundo, sentindo a perna forte e o corpo estragado, e finalmente o pórtico de chegada surgiu e quando passei por ele pensei: A-C-A-B-O-U!

Foi bom? Com certeza não. Pelo contrário, foi muito ruim. Consegui fazer exatamente tudo aquilo que oriento meus atletas a não fazer, e pude sentir na pele, por 30′, o quanto posso transformar algo muito bom em um momento de sofrimento e desperdício.

Se me perguntarem as coisas bonitas da prova, eu não vi. Se me perguntarem sobre as boas sensações, eu não senti. Se me perguntarem sobre qualquer coisa, provavelmente não saberei responder, pois fiquei preso na luta contra meu corpo e contra o relógio!

Falando em relógio, não bati minha meta (abaixo de 30′), mas fiz meu melhor tempo nos 5km com 30’50. Foi minha pior prova, mas foi o meu melhor tempo! Valeu a pena? Com certeza não…

Sei da importância em focar no processo e na qualidade da prova, mas parece que tive uma “amnésia repentina” e me deixei levar, a ponto de me perder, nessa história de tentar fazer abaixo dos 30′, uma bobagem, eu sei, mas sem dúvida, um grande aprendizado, dessa vez sentindo na pele, literalmente, no corpo!

Ainda sou um iniciante enquanto corredor, e aos poucos vou descobrindo mais das armadilhas que podemos criar para nós mesmos, da próxima eu quero mais é que o tempo se dane, pois terei uma prova bacana para curtir!

Terminamos a manhã com pastel e caldo de cana na feira (ainda bem que ainda não comecei o acompanhamento com a nutri!rs) e mais uma vez foi uma manhã muito gostosa, exceto os 30’50 em que estive na prova, mas como diz o poeta: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Que venham as próximas! Bora correr?

Forte Abraço,

Rafa Dutra

Publicado em Cada Prova | 1 Comentário