
O mês de agosto começou com gás total! Quando recebi minha planilha do Enzo e vi que meus treinos seriam diferentes fiquei bastante empolgado, quando comecei a fazer os treinos e percebi que ia dar conta foi ainda melhor!
Retomei a musculação de uma forma mais disciplinada (ainda que bem leve), realizei bem os treinos, curti a brincadeira de subir as escadas do meu prédio (na primeira vez que fiz esse tipo de treino subi trotando 5 andares e tive que andar os outros 15, da última já foi o contrário, mês que vem já conseguirei subir os 20 com certeza!), enfim, nas três primeiras semanas de treino fiz tudo certo e sobrei, ficando cada vez mais confiante para, pela primeira vez, estabelecer uma meta de tempo para a minha prova (fazer 5km abaixo de 30′).
No entanto, na última semana me compliquei sozinho, terça-feira (23) depois de fazer meu treino de escada e corrida, fui “brincar” de jogar basquete com meus alunos depois de sair de uma reunião a noite na escola, e depois de jogar três “21″ de calça jeans, tênis inapropiado, sem aquecer, e acabar pingando, senti meu joelho!
Os quase 40′ de basquete com meus alunos estragaram meus últimos dois treinos da semana, mas até aí tudo bem, sabia que isso não faria diferença no que eu estava buscando. Fiz repouso, retirei a bolsa de gelo (que tanto usei anos atrás) do armário, fiz gelo por três dias seguidos e fui para a prova sem dor, sentia apenas um pouco desconfortável, mas nada demais!
Na noite que antecedeu a prova tive a comemoração do aniversário de um amigo/irmão. Impossível não ir, e estando lá foi difícil ir embora as 22h como havia planejado! A pizza estava boa, os amigos, a conversa, a cerveja, e a coisa resultou em 7 pedaços de pizza (tamanho de rodízio que é menor, mas ainda assim foi muito), uns 2 litros de cerveja divididos em garrafinhas de long neck da Heineken ao longo da noite, e ir dormir lá pela uma e pouco da matina para acordar às 5h20 e ir para a prova!
Mas até aí ok também, a corrida serve para me proporcionar bons momentos, e não para fazer com que eu deixe de viver outros, e o aniversário desse grande amigo, o reencontro com outros amigos, enfim, não ia perder esse momento porque queria correr abaixo de 30′, faz parte…
Dormi pouco, mas acordei bem, fui encontrar o pessoal, chegamos bem cedo na prova (achei muito melhor chegar cedo, papear, aquecer e depois correr, tentarei fazer isso mais vezes!), e estava tudo bem, ainda empolgado, confiante, e mesmo com a história do joelho, da pizza, da cerveja, e de pouco sono, estava firme e forte no propósito de tentar bater os 30′.
E a prova começou, fui ligar meu Ipod (que estava devidamente carregado e com uma seleção de músicas feita especialmente para essa prova) e eu tinha pego o fone que estava quebrado, então nada de música, mas tudo bem também, não seria a primeira, e provavelmente não será a última!
O sol veio nos presentear e nos castigar um pouco, e na saída a organização da prova mandou muito mal, a galera da caminhada saiu junto com a galera da corrida, o que atrapalhou muito no primeiro km, e eu, ansioso com o lance do tempo fui tentar dar uma recuperada e fiz uma grande besteira.
Tentei acelerar, logo no começo da prova, em todo espacinho que dava, e quando abriu um pouco de espaço acelerei mais para compensar, quando bateu o 1ºkm tinha feito para 6’30, exatamente o que eu queria, mas como foi todo desregulado, minha frequência estava batendo os 190 (para mim o bom é ficar nos 170, 175), e comecei a sentir.
A partir daí foi uma luta comigo mesmo, hora sentia a perna forte e o corpo estragado, hora sentia que precisava diminuir mais o ritmo, e a luta comigo mesmo foi me consumindo por toda a prova, os pensamentos focados no “chega logo a próxima placa” me acompanharam quase que a prova inteira!
Aquela “dor do lado” de cansaço foi minha fiel companheira, estava exigindo do meu corpo mais do que ele podia me dar, e tive que diminuir do ritmo que queria, olhei em volta, escolhi uma pessoa num ritmo razoável e tentei seguí-la, se fosse por minha conta sabia que acabaria diminuindo cada vez mais, e segui!
Faltando uns 1,5km fiz uma volta e encontrei o pessoal do grupo, a Mi, o Rodrigo e a K, eles estavam muito próximos, e nos meus planos deveriam estar um pouco mais atrás…rs… Nessa hora ter encontrado com eles me deu um gás, estava começando uma subidinha e sabia que ainda faltavam uns 8,5 minutos se eu fosse forte, e resolvi, apesar de tudo, arriscar.
Abri a passada, abandonei a pessoa que estava seguindo e fui forte, senti um pouco, diminui um pouco, retomei forte e assim segui, quando passei a placa do 4ºKm sabia que faltavam menos de 6 minutos, e segui, pensando em chegar logo, desejando que aquilo tudo acabasse logo.
É impressionante o poder dos pensamentos ruins que dominam nossa cabeça, e a luta contra eles foi boa. No fim das contas consegui dar uma boa recuperada, fiz o último km passando por todo mundo, sentindo a perna forte e o corpo estragado, e finalmente o pórtico de chegada surgiu e quando passei por ele pensei: A-C-A-B-O-U!
Foi bom? Com certeza não. Pelo contrário, foi muito ruim. Consegui fazer exatamente tudo aquilo que oriento meus atletas a não fazer, e pude sentir na pele, por 30′, o quanto posso transformar algo muito bom em um momento de sofrimento e desperdício.
Se me perguntarem as coisas bonitas da prova, eu não vi. Se me perguntarem sobre as boas sensações, eu não senti. Se me perguntarem sobre qualquer coisa, provavelmente não saberei responder, pois fiquei preso na luta contra meu corpo e contra o relógio!
Falando em relógio, não bati minha meta (abaixo de 30′), mas fiz meu melhor tempo nos 5km com 30’50. Foi minha pior prova, mas foi o meu melhor tempo! Valeu a pena? Com certeza não…
Sei da importância em focar no processo e na qualidade da prova, mas parece que tive uma “amnésia repentina” e me deixei levar, a ponto de me perder, nessa história de tentar fazer abaixo dos 30′, uma bobagem, eu sei, mas sem dúvida, um grande aprendizado, dessa vez sentindo na pele, literalmente, no corpo!
Ainda sou um iniciante enquanto corredor, e aos poucos vou descobrindo mais das armadilhas que podemos criar para nós mesmos, da próxima eu quero mais é que o tempo se dane, pois terei uma prova bacana para curtir!
Terminamos a manhã com pastel e caldo de cana na feira (ainda bem que ainda não comecei o acompanhamento com a nutri!rs) e mais uma vez foi uma manhã muito gostosa, exceto os 30’50 em que estive na prova, mas como diz o poeta: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. Que venham as próximas! Bora correr?
Forte Abraço,
Rafa Dutra